A história do Téo, do Dudu e do Davi, contada pela mãe Cris

Quando analisamos a história temos a possibilidade de entender o presente. Falar da evolução histórica da discriminação contra pessoas com deficiência pode parecer sensacionalista, mas realmente ajuda a entendermos alguns paradigmas.

Na Roma antiga, já constava prescrito na Lei das 12 Tábuas (450-449 a.C.), que tratava do pátrio poder: Tábua Quarta – “É permitido ao pai matar o filho que nasceu disforme, mediante o
julgamento de cinco vizinhos”. Já na Idade Média, a deficiência era vista como atuação de maus espíritos e do demônio, sob o comando das bruxas, e castigo de Deus. Há registro de torturas e queimação. Em 1901, Francis Galton, baseado na teoria de Darwin, publicou um manuscrito onde aplicava a Teoria da Evolução de Charles Darwin, afirmava que existem pessoas com mais “valor cívico” do que outras, e com base nisso, pessoas com deficiência eram esterilizadas.

No Renascimento, Gerolamo Cardamo (1501-1576), inventou um código de sinais destinado a ensinar as pessoas surdas a ler e a escrever. e Philippe Pinel (1745-1826), médico francês, foi pioneiro no tratamento mais científico defendendo tratamentos mais humanos para a deficiência intelectual. No Século XIX a visão a respeito da deficiência evoluiu com Napoleão, criaram-se diversos institutos para cegos, surdos e mudos. O caminho parecia promissor para pessoas com deficiência no Século XX, mas com a eclosão da Segunda Guerra, sob a direção de Philipp Bouler, chefe da chancelaria privada de Hitler e do Dr. Karl Brandt, médico pessoal de Hitler, houve um memorando para a eliminação de doentes incuráveis, idosos senis, deficientes físicos e ‘doentes mentais’, determinando a aplicação do programa de eutanásia.

Com o intuito de reforçar as determinações da Carta das Nações Unidas, em 1948 é criada a Declaração Universal dos Direitos Humanos que, em seu artigo 25 faz menção expressa à pessoa com deficiência, denominada “inválida”. Artigo XXV. 1. Toda pessoa tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família saúde e bem-estar, inclusive alimentação,
vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis, o direito à segurança, em caso de desemprego, doença, invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda dos meios de subsistência em circunstâncias fora do seu controle”. Daí decorreram diversas conquistas por parte delas, ainda que a passos curtos, vamos vendo uma luz no final deste túnel.

A inclusão pedagógica, sanitária, dentre outras, já constam da legislação nacional, mas a inclusão eminentemente social não – até porque envolveria deveres de terceiros. Para isso, o Friendship trabalha eminentemente para a inserção das pessoas com deficiência na sociedade, pela promoção de convívio juntos às pessoas que atuam conosco voluntariamente.

“O Téo é uma criança que tem autonomia para fazer praticamente tudo, mas, apesar de tentar interagir e fazer amizades, tem bastante dificuldade em se relacionar. Ele não recebia convites para ir à casa dos amigos, e eles não vinham até em casa. É bem triste para mim.

Começamos a participar do Friendship Circle em 2019. Neste momento, surgiram o Davi e Eduardo, estes dois meninos incríveis. Eles vêm aqui em casa muito felizes para brincar, e o Téo os considera seus melhores amigos.

Eu não imaginava que a ONG era tão legal. A gente sente que transcende o trabalho voluntário, que vira um vínculo mesmo. Mais do que ganhar o Dudu e o Davi, esta relação está ensinando o Téo a conquistar outros amigos e isto está sendo incrível pra ele”.

Friendship, inclusão na prática.
(O Friendship Circle é uma ONG de transformação e inclusão social que, por meio da promoção da amizade entre crianças e jovens com deficiência, e jovens voluntários, trabalha para a criação de um mundo mais empático e inclusivo)

 

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