Namorar para quê?

Pessoas com deficiência intelectual podem exercitar o prazer proporcionado por relações afetivas

Somos todos seres humanos e, como tal, somos sociais e diversos. Vivemos em grupo e somente assim conseguimos satisfazer nossas necessidades afetivas, emocionais e de sobrevivência. Neste convívio muitas vezes descobrimos um sentimento positivo, que provoca a sensação de bem-estar gerando prazer e satisfação. Para este sentimento damos o nome de amor.

O amor é um sentimento de gostar muito de alguém, o que leva a querer fazer o bem para a pessoa e, com isso, o desejo de dividir seu tempo com ela.

O mês de junho chegou e com ele vem a celebração nacional do Dia dos Namorados. A palavra ‘namorado’ tem sua origem na expressão espanhola estar “en amor”, que forma o verbo “enamorar”.

Namoro acontece a partir do desejo de estar junto e compartilhar experiências com quem se ama

O namoro é a relação afetiva entre duas pessoas que se unem pelo desejo de estarem juntas e partilharem novas experiências. É neste período que podemos validar nossa sexualidade e, assim, compartilhá-la com quem amamos.

A sexualidade é parte integrante da personalidade. As necessidades afetivo-sexuais mediam as relações que se estabelecem ao longo de nossas vidas. É uma energia humana que cria comunhão entre a preservação da vida e a alegria de viver, que se mostra de diversas formas em todas as idades e fases do desenvolvimento humano.

Entretanto, não são todos que podem viver o momento do namoro, e um exemplo são
algumas pessoas com deficiência intelectual.

Lei brasileira considera que deficiência não afeta capacidade de se casar ou constituir união estável

Existem mitos e lendas criados ao longo da história que desfavorecem o namoro das pessoas com deficiência intelectual. Arquétipos criados pela sociedade rotulando-as como não controladoras de seus impulsos sexuais, assexuadas ou que possuem a sexualidade exacerbada, são inférteis, ou são carentes de responsabilidades.

Essas crenças de alguns são fatores impeditivos, que muitas vezes impossibilitam as pessoas com deficiência de se relacionarem com outras, inviabilizando a possibilidade de se enamorarem por alguém.

Lei Brasileira de Inclusão, em seu artigo 6º, coloca que a deficiência não afeta a capacidade civil da pessoa para se casar ou constituir união estável e exercer direitos sexuais e reprodutivos; ter acesso a informações adequadas sobre reprodução e planejamento familiar; conservar sua fertilidade, sendo vedada a esterilização compulsória; exercer direito à família e à convivência familiar e comunitária.

Hoje existem muitos materiais acessíveis que podem colaborar para a orientação e informação das pessoas com deficiência e da sociedade sobre o tema. Então, namorar para quê?

Namoramos para exercitar o prazer, para nos sentirmos plenos, para ter um projeto de vida, nos sentirmos felizes e, quem sabe, deixarmos alguém feliz. Feliz mês e ano dos namorados.

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